Demissões por justa causa atingem recorde no Brasil em 2025
- Trabalhador Informado

- 9 de mar.
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O Brasil registrou um recorde de demissões por justa causa em 2025, de acordo com dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). Ao todo, foram contabilizados 638,7 mil desligamentos nessa modalidade, o maior número desde o início da série histórica, iniciada em 2004.
O volume representa um crescimento expressivo em comparação ao período anterior à pandemia. Em relação a 2019, o aumento foi de quase 200%, indicando mudanças relevantes na dinâmica das relações de trabalho no país.
Além do número absoluto, também cresceu a participação da justa causa no total de desligamentos. Em 2025, esse tipo de demissão representou 2,6% de todos os contratos encerrados, o maior percentual já registrado.
Os dados indicam ainda que a tendência continua em alta. Somente em janeiro de 2026 foram registradas 65,3 mil demissões por justa causa, número cerca de 22% maior que o registrado no mesmo mês do ano anterior.
Alguns setores concentram uma proporção maior desse tipo de desligamento. Em hipermercados, por exemplo, a justa causa chegou a representar 10,7% das demissões em determinados períodos. Já em frigoríficos e serviços de call center, os índices também aparecem elevados.
Entre os trabalhadores mais jovens, a incidência também é maior. Pessoas entre 18 e 24 anos e 25 e 29 anos apresentam participação mais significativa nas demissões por justa causa quando comparadas a faixas etárias mais avançadas.
A demissão por justa causa é considerada a penalidade mais severa prevista na legislação trabalhista brasileira. Nessa situação, o trabalhador perde direitos como saque do FGTS, multa de 40% sobre o fundo, seguro-desemprego e parte das verbas rescisórias.
O aumento desse tipo de desligamento reflete transformações no mercado de trabalho brasileiro, marcado por maior rotatividade, mudanças no comportamento profissional e maior rigor das empresas no cumprimento das regras internas.



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